Orgulho e Preconceito – Jane Austen

“É uma verdade universalmente reconhecida que um homem solteiro em posse de uma boa fortuna deve estar necessitado de uma esposa. Por mais pouco conhecidos que sejam os sentimentos ou as opiniões de tal homem ao entrar em uma vizinhança, esta verdade está tão bem fixada nas mentes das famílias ao redor, que ele é considerado como propriedade legítima de uma ou outra de suas filhas.

— Meu caro Mr. Bennet — disse-lhe um dia sua senhora —, você ouviu que Netherfield Park foi finalmente alugado?

Mr. Bennet respondeu que não.

— Pois foi — replicou ela —, e pelo que ouvi dizer, é um jovem muito rico do norte da Inglaterra; diz-se que veio na segunda-feira em uma carruagem de quatro cavalos para ver o lugar, e ficou tão encantado que imediatamente fez um acordo com Mr. Morris; deve tomar posse antes de São Miguel, e alguns de seus criados estarão na casa até o final da próxima semana.

— Como se chama?

— Bingley.

— É casado ou solteiro?

— Oh! Solteiro, minha cara, com certeza! Um homem solteiro de grande fortuna; quatro ou cinco mil por ano. Que coisa boa para nossas meninas!

— Como assim? Como isso pode afetá-las?

— Meu caro Mr. Bennet — respondeu sua esposa —, como pode ser tão cansativo! Você deve saber que estou pensando em casá-lo com uma delas.

— É esse o seu desígnio ao longo de todo o tempo?

— Desígnio! Que absurdo! Mas é muito provável que ele se apaixone por uma delas, e portanto você deve visitá-lo assim que ele chegar.

— Não vejo necessidade disso. Você e as meninas podem ir, ou podem mandar-lhes uma carta, o que será mais apropriado, pois você é tão bonita quanto qualquer uma delas, Mr. Bingley pode gostar de você melhor do que de qualquer uma das meninas.

— Meu caro, você me lisonjeia. Tenho minha cota de beleza, mas não pretendo considerar-me como uma das mais belas. Quando uma mulher tem cinco filhas crescidas, deve desistir de pensar em sua própria beleza.

— Em tais casos, uma mulher não tem muito de que desistir.

— Mas, meu caro, você deve realmente ir e ver Mr. Bingley quando ele vier à vizinhança.

— É mais do que eu posso prometer, eu lhe asseguro.”

“Orgulho e Preconceito” é uma das obras mais célebres da escritora inglesa Jane Austen. Publicado pela primeira vez em 1813, o romance é uma crítica social e uma análise perspicaz das relações humanas e das convenções da época. A história gira em torno de Elizabeth Bennet, uma jovem inteligente e espirituosa, e sua relação com o orgulhoso Sr. Darcy. A trama explora temas como o orgulho, o preconceito, a classe social e o casamento. Austen utiliza um estilo irônico e observador para retratar a sociedade inglesa do século XIX, fazendo com que o leitor reflita sobre os valores e comportamentos da época. Este livro é essencial para quem aprecia clássicos da literatura e deseja entender mais sobre as dinâmicas sociais e emocionais que moldaram a história.

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